Ykûarasy – Território Ancestral

Ancestralidade, cultura e soluções comunitária da Amazônia no enfrentamento à crise climática

O curta documentário dirigido por Tay Silva, ativista amazônica, educomunicadora, criadora de conteúdo e líder de projetos de impacto social e ambiental na periferia da Amazônia, traz soluções coletivas a partir da arte, cultura e educação que são ancestrais no território de Icoaraci, um dos oitos distritos de Belém-PA, através das vozes de Auda Piani, Silvia Maria e Maynara Santana. 

De origem Tupi, o nome Icoaraci (Ykûaracy) significa “Sol do Rio”, ancestralidade carregada no nome que faz um resgate das origens que dão vida ao território. A conexão com as águas, ruas e florestas é o que faz de Icoaraci um território que carrega grandes complexidades da Amazônia e que cria um novo imaginário popular sobre viver na região. 

Sendo uma das periferias mais afastadas do centro da cidade de Belém, o distrito se aproxima das margens, fazendo conexão com as ilhas de Cotijuba, Marajó e Caratateua, por exemplo. Isso traz especificidades culturais, estruturais e diversidade de comunidades que vivem no território, completamente à margem de políticas públicas eficazes. Na ausência do Estado, desenvolvem soluções coletivas para permanecer e resistir em defesa do seu território, resgatando a memória, cultura e coletividade. 

Além disso, Icoaraci tem uma vasta manifestação cultural conectada à preservação ambiental, da proteção e preservação das florestas, rios e imaginários coletivos, como a cultura dos Pássaros Juninos e o extenso polo cerâmico localizado no Paracuri, que é uma das referências mundiais do artesanato Marajoara e Tapajônico, além de já possuir indícios de traços que são únicos do próprio Paracuri.

Para Maynara Santa, ceramista e empreendedora social na FS Cerâmica e uma das entrevistadas no filme, o manejo do barro é herança ancestral das comunidades que vivem e resistem e Icoaraci, além de ser uma das ferramentas culturais de conexão com a história e memória do lugar, e acrescenta sobre sua atuação, “a gente percebe que ainda existe lugar pra esse pensamento muito comunitário e é esse pensamento que a gente, cada vez mais, vem provocando”.

Sendo um curta metragem composto por mulheres, traz intencionalmente o olhar interseccional, pensando atravessamentos territoriais, raciais e de gênero para entender como Icoaraci encara a crise climática e já vem desenvolvendo tecnologias comunitárias de mitigação e adaptação dos impactos severos e emergenciais trazidos pelas mudanças do clima. 

O curta fez parte do processo de seleção da diretora, Tay Silva, para ser uma das jovens comunicadoras da Amazônia na cobertura da Conferência Mundial de Mudanças Climáticas, a COP28, que aconteceu em Dubai durante os dias 30 de novembro e 12 de dezembro, a partir do curso “Prepare-se para a COP28”, realizado pela DW Akademie e a ONG Saúde e Alegria. Para assistir, basta acessar: